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Penny Dreadfuls, 1911 · page 6 of 15

As Ruinas de Pompeya (The Ruins of Pompeii) — page 6: what you’re looking at

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As Ruinas de Pompeya (The Ruins of Pompeii) — page 6: Penny Dreadfuls, 1911

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S$ As ruinas de Pompeia O capitio virou e revirou indeciso o papel d’um_ lado para o outro. —Foi entio para extorquir dinheiro, A ideia do cio nao é ma, nio. : ’ —Nés sacrificamos de béa vontade um milhio de liras, interrompeu a condessa, para encontrar e aper- tar a nossa filha nos bracos. O que sumos sem ella n’este mundo? Nds poderemos apezar de perder essa enorme quantia dar-lhes ainda um dote de outro mi- Ihdo. —O resgate no seré necessario, senhora condes- sa, disse o capitao furioso, nds apanharemos o patife na armadilha que elle nos quer armar. Temos primei- ramente que amarrar o cio, e mesmo que N40 apa- nhemos o principal culpado, apanharemos um dos seus cumplices e j4 ganharemos muito com isso. —N#o estou para medidas violentas, disse suspi- rando a condessa, lembre-se da sorte que espera mi- nha filha, ' —Tambem: nio quererds certamente, minha que- rida, que nos entreguemos de mios ligadas aos cri- minosos. Se hoje exigem um milhdo, amanh& pedirdo dois ou tres. Um criado entrou annunciando um official de dili- gencias, que entrou em seguida. —O senhor inspector da policia manduu-me aqui, senhor capitaéo. Chegou uma carta, assignada por um tal Napolitano vermelho, ameagando martyrisar e ma- tar a filha do senhor conde, no caso de alguem se atrever a perseguil-o. O senhor inspector desconfia que se esteja planeando outra patifaria 2 que queiram primeiramente metter medo 4 policia. Manda-lhe di- zer, senhor capit#o, para vigiar cautelosamente a ca- sa do senhor conde dutante alguns dias. —Esté bem, respondeu Stellati, Ja comeca a anoi- tecer, e parece-me inutil mandar vir soidados da ci- dade, poderia dar nas vistas. Tambem eu nao espreita- rei porque 0 criminoso de certo me conhece, —QO senhor conde tem um fato que possa por 4 disposigao d’este homem? O conde que nio sabia onde queria chegar o ca- pitio, respondeu que sim. —Queria que este homem vestisse o fato e disfar- gasse um pouco a cara e espreitasse aqui perto. Se o criminoso se atrever a assolar o co 4 porta, o official tera occasido de o atacar. Hu estarei espreitando por detraz das persianas corridas até que um signal seu me avise que o bandido esta apanhado. —Essa ideia é de primeira ordem, returquiu o conde Ventura, mas o official ja esta vestido 4 pai- sana, —WMuito bem, Mas eu estou desconfiado que os assassinos jd est#o a vigiar a casa para ver se nds punhamos aqui, depois da recepg4o d'essa carta, um soldado para vigiar. Se elles véem que o homem que entrou‘aqui, sae outra vez, seguil-o-hio. Ao contrario nao prestardo attencio a um homem estranho que se retira indifferentemente. Depois, dirigindo-se ao official de diligencias, 0 ca- pitao, disse: é —O senhor de certo tera occasido de voltar outra vez aqui, de» térma a nfo deixar um sé momento o portio de ‘vista. —A’s suas ordens, capitio. . Em seguida o official de diligencias retirou-se. As persianas foram corridas, O conde Ventura preparou a pistola, 0 capitio poz-se junto da porta, para assim poder logo saltar para fora, a espada n’uma das maos e o revolver na outra. Uma hora apoz outra se passou sem que se ouvis- se coisa alguma. Ouviu-se a meia noite, a-uma, duas, tres e quatro horas, ' J& comecava a amanhecer. O conde tinha-se dei- xado dormir ao pé da pistola, e o capitdo Stellati ja nio se podia manter em pé. A rua comegava 4 ani- mar-se. Os gritos dos vendedores chegavam ao quarto on- de estavam os dois. De repente entrou um criado. di- zendo: —Senhor conde, deante da porta est4 um cdo pre- to atado, que estd a ganir ha mais de uma hora cer- tamente. O conde deu um pulo, o capit&o Stellati metteu a espada na bainha e soltou uma praga horrivel. Todos correram 4 porta e viram realmente um animal hor- rendo que estava preso 4 porta do jardim. —Mas onde est& o patife que mandei vigiar a portaP perguntou o capit&o furioso emquanto os seus olhos buscavam por todos os lados o offici | de dili- gencias, Approximou-se d’elle ent&o um pequeno mogo de fretes e disse: _ _ K's tu o capit&o Stellati? —Sim, Primeiramente faz favor de me fallar com mais respeito. Ah —Tenho uma carta para ti, capitao, Entregou entio ao capitio um sobrescripto do mais fino papel, d’aquelle que sé a aristocracia italia- na usava. Admirado o capitao abriu a carta, O conde leu por cima dos seus hombros: «Ao capitio Stellati dos Carabineiros. «E’s sem duvida, capitéo, tho grande heroe como parvo. Se és tao valente como estupido, podes ser proclamado o maior herce de Napoles. Mas lembra-te que homens como tu, nao se podem medir com o Na- politano vermelho, Esta vez escapas, e ficas sé enver- gonhado, mas para a outra ndo respondo pela tua vi- da. Faz 0 que te ordeno na ultima carta e nado impe- eas o conde de mandar o dinheiro, Agradego ao se- nhor conde o fato que me mandou. Nunca julgueli, ca- pitio, que me proporcionasses um negocio téo bom. «O Napolitano vermelho». O capitio evitava olhar para o conde que estava sflencioso em casa rangendo os dentes de furia. j t ‘ _ ae . . + 9 “2 @ As ruinas de Pompeia 9 O capitéo Stellati nfo era cobarde e estaya bem decidido a desforrar-se mesmo que isso the custasse a- vida; mas nao disse a ninguem o que tencionava fa- zer. : : ie Ze Emquanto o conde foi ao banco buscar um, milhao de liras em notas de banco, mandor -sellaxw um caval- lo levou o até um atalho que estava situado a uns vin- te passos da villa e esperou immovel. Viu voltar o conde, e cinco minutos depois saiu da casa um cio preto que tinha em volta do pescogo uma fortuna. O capitéo saltou para o cavallo eseguiu o co. Corrida como essa nunca os napolitanos tinham ‘visto, O animal atravessou Napoles. O capit&o seguia-o a grande galope. Se nao fosse um official dos Carabineiros, de certo teria sido preso e tomado por um doido, Mas assim, fugia tudo aterrorisado. O oo atravessou o mercado, saltou por cima d’al- gumas tendas e continuou a correr. O eapitdo entor- nou meija duzia de cestos de fructa, deitou ao chio umas vendedeiras e continuou a sua corrida seguido dos gritos de furia das suas victimas. O cavallo tinha estado muito tempo na cavallariga, era de puro sangue inglez, e estava habituado ds cor- ridas. Como o capitao sé visava o cdo preto, nado fazia caso do caminho, E como se 0 animal percebesse que era perseguido nao corria sé pelas estradas, mas sal- tava por cima de muros, sebes, atravez de jardins e pateos, e o capitao seguia-o por toda a parte para no o perder de vista, Toda a gente estava espantada d’esse estranho es- pectaculo. O cao deixou a cidade, seguiu a estrada e correu ao longo da praia. Deixou atraz d’elle Portici, Gran- tello, Resina, Torre del Greco, Torre del Annunzia- ta e dirigiu se para Pompeia. Mas tambem aqui no parou o cdo. Suando, vermelho de fadiga, 0 capitio seguia sem- pre o animal. Tinha solto a sua pistola mas sem ter occasiio de se servir della. Agora o cao tomdra a estrada que conduzia a Bosco Reale e d’ali para a cidade. As portas, as casas, as paredes, tudo estava cheio de cartazes enormes que annunciavam os espectaculos do circo Donatello. O c&o correu pelo meio da cidade e approximou- se d’uma praga onde estava consiruida uma grande tenda branca, Bandeiras multicolores voavam ao ven- to, a musica tocava. O cdo subiu uma escada de madeira, provisoria, e desappareceu no interior da barraca. O capitio fazia esforcos inuteis para reter o caval- lo. O nobre animal tinha comprehendido que era pre- ciso aleangar 0 cdo. N’um pulo saltou acima do estrado de madeira, deiton ao chao a caixa assim como a mulher que ali estava sentada, passou por cima d’alguns parapeitos, e encontrou-se no mesmo instante no meio do circo de com onde os palafreneiros, os clownseo publico fugiam por todos os lados cheios de medo, No trapesio estava sentado um homem vestido 4 maneira dos saltimbancos mostrando as suas habili- dades. O cdo ficou sentado no meio do cireo e olhou para o seu dono que saltou do trapesio, livido e fazendo es- forgos para fugir. Finalmente poude o capit&o fazer parar o cavallo. Apontou o revolver ao artista e gritou: —Em nome da lei. N&o tentes resistir mizeravel. E’ a ti que pertence o cdo? O artista estava t&o surprehendido que nao teve coragem de negar. O publico e os palafreneiros j4 estavam um pou- co mais tranquillos. O capitio deu a explicacgdo desejada ao director que se lamentava do mau trato que sua mulher soffre- ra na caixa. O artista foi amarrado pelos seus proprios colle- gas. O capitdo atou a corda com a qual eram ligadas as maos do artista ao argo da sella do cavallo e atou do outro lado o cdo, saltou para cima do cavallo e afastou-se de Bosco Reale. Nao queria dar a gloria a ninguem de entregar o criminoso 4 justia e decidiu-se a aproveitar em Tor- re dell’Annunziata 0 comboio até Napoles. Poz o eavallo a trote para fugir ao publico que o seguia atravez as ruas e deixou correr o criminoso ao lado d’elle. Promptamente atravessou a cidade e meia hora depois approximava se com os seus dois presos das ruinas de Pompeia. © sol tinha-se escondido por detraz das nuvens, Approximava-se uma trovoada. Grossas gottas d’agua caiam. As ruinas estavam abandonadas. Nao se via viv’alma. Uma forte ventania soprava e levantava uma poei- ra horrivel. O capitéo tinha o revolver na mo para respon- der 4 mais pequena tentativa de fuga do criminoso, De, repente quando o grupo voltou uma esguina, appareceu um homem deante d’elles que com um unico movimento da mao fez parar o cavallo. Este empi- nou-se de maneira que o cayvalleiro quasi caiu, depois parou tremendo. No meio da estrada estava um ser estranho mon- tado n’um cavallu preto. A cara selvagem, mas entre- tanto mobre, estava sombreada por um pesado capa- cete doirado, O pescogo forte e a nuca estavam descobertos. O sol reflectia-se n’uma couraga dourada que lhe co- bria o peito. O mysterioso cavalleiro estava sentado no cavallo sem sellim e sem redeas, e guiava-o com uma leve pressio dos joelhos. ; Parecia que tinha yoltado do tempo em que Pom- pela era ainda uma cidade cheia de vida. O homem fazia uma impressio duplamente myste- riosa na solidio d’esse sitio ao fundo da cidade destruida. —Desea! ordenou elle. Apezar do capitdo Stellati, como j4 dissemos, nao HOO] KS (C coim